A definição da palavra bilíngue segundo o
dicionário Aurélio: "adj. Que está em duas línguas diferentes: inscrição
bilíngue. / Onde se falam duas línguas: país bilíngüe. / Que fala duas línguas".
A proposta bilíngue entende o sujeito
surdo como participante de duas realidades, como um estrangeiro no próprio
país, vivendo ao mesmo tempo a realidade da língua materna, na qual tem sua
visão de mundo construída e aprimorada, e a realidade de uma segunda língua, a
utilizada no cotidiano da comunidade a que pertence. Nesta proposta, o ideal
para o sujeito surdo não seria a sua adequação à realidade ouvinte, usuária da
língua oral, mas sim assumir sua condição de surdez como parte de suas
características e identidade.
Além do caminho que a legislação brasileira abriu para a educação bilíngue para surdos, também são bases para a proposta, documentos internacionais e teorias adotadas e divulgadas pelo MEC do Brasil.
A proposta de educação bilíngue, "busca respeitar o direito do sujeito surdo, no que se refere ao acesso aos conhecimentos sociais e culturais em uma língua que tenha domínio". Por recomendação do MEC, o ensino de surdos no Brasil precisa ser:
"(...) efetivada em língua de sinais, independente dos espaços em que o processo se desenvolva. Assim, paralelamente às disciplinas curriculares, faz-se necessário o ensino de língua portuguesa como segunda língua, com a utilização de materiais e métodos específicos no atendimento às necessidades educacionais." (SALLES, et al; 2004 p 47)
Ainda nesta direção está a recomendação da UNESCO quanto ao direito de toda criança a aprender, na educação básica, em sua língua materna.
Para que a formação bilíngue ocorra, é indicado que haja um instrutor surdo responsável por ensinar e transmitir a cultura surda juntamente com a LIBRAS, trabalhando em conjunto com o professor bilíngue, ouvinte.
Segundo o manual do Atendimento Educacional Especializado para deficiência auditiva, editado pelo MEC/SEESP, este atendimento deve ocorrer por três momentos diferenciados:
- Momento do Atendimento Educacional Especializado em Libras na escola comum: em que todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa língua por um professor, sendo o mesmo preferencialmente surdo. Esse trabalho é realizado todos os dias;
- Momento do Atendimento Educacional para o ensino de Libras na escola comum: no qual os alunos com surdez terão aulas de Libras, favorecendo o conhecimento e a aquisição, principalmente de termos científicos. Este trabalhado é realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras (preferencialmente surdo), de acordo com o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra. O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua de Sinais;
- Momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa: no qual são trabalhadas as especificidades dessa língua para pessoas com surdez. Este trabalho é realizado todos os dias para os alunos com surdez, à parte das aulas da turma comum, por uma professora de Língua Portuguesa, graduada nesta área, preferencialmente. O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua Portuguesa.
Além do caminho que a legislação brasileira abriu para a educação bilíngue para surdos, também são bases para a proposta, documentos internacionais e teorias adotadas e divulgadas pelo MEC do Brasil.
A proposta de educação bilíngue, "busca respeitar o direito do sujeito surdo, no que se refere ao acesso aos conhecimentos sociais e culturais em uma língua que tenha domínio". Por recomendação do MEC, o ensino de surdos no Brasil precisa ser:
"(...) efetivada em língua de sinais, independente dos espaços em que o processo se desenvolva. Assim, paralelamente às disciplinas curriculares, faz-se necessário o ensino de língua portuguesa como segunda língua, com a utilização de materiais e métodos específicos no atendimento às necessidades educacionais." (SALLES, et al; 2004 p 47)
Ainda nesta direção está a recomendação da UNESCO quanto ao direito de toda criança a aprender, na educação básica, em sua língua materna.
Para que a formação bilíngue ocorra, é indicado que haja um instrutor surdo responsável por ensinar e transmitir a cultura surda juntamente com a LIBRAS, trabalhando em conjunto com o professor bilíngue, ouvinte.
Segundo o manual do Atendimento Educacional Especializado para deficiência auditiva, editado pelo MEC/SEESP, este atendimento deve ocorrer por três momentos diferenciados:
- Momento do Atendimento Educacional Especializado em Libras na escola comum: em que todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa língua por um professor, sendo o mesmo preferencialmente surdo. Esse trabalho é realizado todos os dias;
- Momento do Atendimento Educacional para o ensino de Libras na escola comum: no qual os alunos com surdez terão aulas de Libras, favorecendo o conhecimento e a aquisição, principalmente de termos científicos. Este trabalhado é realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras (preferencialmente surdo), de acordo com o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra. O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua de Sinais;
- Momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa: no qual são trabalhadas as especificidades dessa língua para pessoas com surdez. Este trabalho é realizado todos os dias para os alunos com surdez, à parte das aulas da turma comum, por uma professora de Língua Portuguesa, graduada nesta área, preferencialmente. O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua Portuguesa.
O ensino bilíngüe é o método que mais se aproxima
do respeito ao sujeito surdo em sua identidade e cultura. Assim como a
preocupação, que é inerente a esta proposta, de trazer ao sujeito surdo a
condição de se incluir na sociedade de forma efetiva e completa, reconhecendo
suas diferenças e capacidades. Além disso, dentre as propostas para o ensino de
surdos, esta é a que mais aparece, hoje, nos documentos oficiais brasileiros,
sendo recomendada como modelo para as escolas inclusivas.
Para entender e discutir sobre as Atas do Congresso de Milão, devemos saber um pouco mais sobre este assunto. O Congresso de Milão, em 1880, foi um momento obscuro na História dos surdos, uma vez que lá um grupo de ouvintes tomou a decisão de excluir a língua gestual do ensino de surdos, substituindo-a pelo oralismo (o comitê do congresso era unicamente constituído por ouvintes. Em consequência disso, o oralismo foi a técnica preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do século XX. Este Congresso durou 3 dias, nos quais foram votadas 8 resoluções, sendo que apenas uma (a terceira) foi aprovada por unanimidade. As resoluções são:
Para entender e discutir sobre as Atas do Congresso de Milão, devemos saber um pouco mais sobre este assunto. O Congresso de Milão, em 1880, foi um momento obscuro na História dos surdos, uma vez que lá um grupo de ouvintes tomou a decisão de excluir a língua gestual do ensino de surdos, substituindo-a pelo oralismo (o comitê do congresso era unicamente constituído por ouvintes. Em consequência disso, o oralismo foi a técnica preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do século XX. Este Congresso durou 3 dias, nos quais foram votadas 8 resoluções, sendo que apenas uma (a terceira) foi aprovada por unanimidade. As resoluções são:
1.
O uso da língua falada, no ensino e educação dos surdos, deve
preferir-se à língua gestual;
2.
O uso da língua gestual em simultâneo com a língua oral, no ensino de
surdos, afecta a fala, a leitura labial e
a clareza dos conceitos, pelo que a língua articulada pura deve ser preferida;
3.
Os governos devem tomar medidas para que todos os surdos recebam
educação;
4.
O método mais apropriado para os surdos se apropriarem da fala é o
método intuitivo (primeiro a fala depois a escrita); a gramática deve ser ensinada através de exemplos práticos, com
a maior clareza possível; devem ser facultados aos surdos livros com palavras e formas de linguagem conhecidas pelo
surdo;
5.
Os educadores de surdos, do método oralista, devem aplicar-se na
elaboração de obras específicas desta matéria;
6.
Os surdos, depois de terminado o seu ensino oralista, não esqueceram o
conhecimento adquirido, devendo, por isso, usar a língua oral na conversação
com pessoas falantes, já que a fala se desenvolve com a prática;
7.
A idade mais favorável para admitir uma criança surda na escola é entre
os 8-10 anos, sendo que a criança deve permanecer na escola um mínimo de 7-8
anos; nenhum educador de surdos deve ter mais de 10 alunos em simultâneo;
8.
Com o objetivo de se implementar, com urgência, o método oralista,
deviam ser reunidas as crianças surdas recém admitidas nas escolas, onde
deveriam ser instruídas através da fala; essas mesmas crianças deveriam estar
separadas das crianças mais avançadas, que já haviam recebido educação gestual,
a fim de que não fossem contaminadas; os alunos antigos também deveriam ser
ensinados segundo este novo sistema oral.
Uma década depois
do Congresso de Milão,
acreditava-se que o ensino da língua gestual quase tinha desaparecido das
escolas em toda a Europa, e o oralismo espalhava-se para outros continentes.
Hoje sabe-se que esta medida do Congresso foi totalmente errônea, visto
que a linguagem de Sinais é cada vez mais aceita e praticada, não só no Brasil
mas, também, no mundo.
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